sexta-feira, 21 de novembro de 2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

JACY É A NOSSA LUA

                                 ÎASY   (LUA)

Certa noite, em uma comunidade TUPINAMBÁ, dormia a Lua e a maior parte dos indígenas. A mata permanecia escura e tenebrosa, abrigando segredos que ninguém mais ousava desbravar. As pessoas não saíam mais de casa depois do por do sol. E mesmo assim, anciões corajosos, encarando a escuridão, se reuniam em volta da fogueira.

Estavam tristes e sem vitalidade, sua cultura estava vivendo um breu total. De noite, a única luz que os iluminava era artificial.

                        - Sinto falta das noites de Lua, em que cantávamos e dançávamos em volta da fogueira, lamentou um deles


Silêncio. Todos estavam de luto.

Em uma das OCAS, algumas crianças adormeciam frente à televisão...

Em outra Oca se repetia a mesma cena.

Como era possível observar a luz da Lua, que sempre foi admirada pelos Tupinambá, se agora uma outra luz embalava o sono dos indígenas.

De volta a mata, decidido a tomar uma providência perante aquela situação, o pajé acendia um fogo e balançava seu MARACÁ. Depois de acender seu cachimbo, ele cantou com fé:

                                                           ÎASY é nossa lua
                                                           Que clareia nossa aldeia
                                                           TUPÃ venha arramiar
                                                           Iluminar a nossa aldeia

O canto irradiou por toda a aldeia. Levado pelo vento, entrou em todas as casas, escancarando as janelas. Um avô adormecido sentiu uma brisa o inspirar. Observava seus netos adormecidos frente a luz artificial e hipnotizado pelo som do Maracá que vinha de fora, levanta seu próprio maracá e quebra a televisão.

As crianças acordam com o barulho e parecem também ouvir o som que vem de fora. Pouco a pouco todos da aldeia saem de suas casas e se olham entre si de suas portas.

Era o fim da hipnose.

Por trás das nuvens, um clarão tímido começa a aparecer. As pessoas se surpreendem. Há tempos que ninguém ali sabe o que era a Lua.

O som do Maracá cresce, juntas as pessoas seguem até a mata e juntam-se ao pajé e entre as arvores cantaram juntos.

(PORANSY TUPINAMBÁ: ÎASY....)

A cada batida do Maracá, parecia que a Lua crescia de dentro dele. Forte, brava, guerreira, como sempre foi.

De repente não era mais um Maracá, era a Lua nascendo de dentro do mar.

E nela era possível enxergar aquela aldeia que não mais estava adormecida, estava acordando e dançando ao redor da fogueira, chamando pela Lua, ao som do Maracá.

O número de pessoas dançando ao redor da fogueira aumentava A música fez brotar todas as raízes, fez desabrochar todas as flores. A Mãe ÎASY finalmente despertou e acordou todos os seus filhos.
E a Natureza toda cantou:

                                               Eu vou pedir a minha Mãe ÎASY
                                               Que ela venha nos ajudar
                                               Eu vou pedir a meu Pai TUPÃ
                                               Para a nossa aldeia se alevantar

As plantas, os pássaros e os indígenas cantaram todos juntos

                                               Levanta essa aldeia levanta
                                               Com as forças de Deus
                                               Levanta essa aldeia levanta
                                               Olha Deus pros filhos teus
                                               Levanta essa aldeia levanta
                                               Levanta sem demorar
                                               Levanta essa aldeia levanta
                                               A aldeia Tupinambá

E então brotou um sorriso na lua

A televisão nunca mais adormeceu os Tupinambá. Hoje em dia eles vivem em várias TABAS e trabalham para retomar seus territórios, vivem cuidando da Natureza.

E todas as noites, a Mãe ÎASY sorri para os Tupinambá acordados



AUTORES:
Elen França Amorim -  Sebastian Gerlic -  Josenice Souza Franca - Maria José Muniz -  Marciléa Melo Lima - Aguinaldo J. dos Santos -  Isabelle A. Lima -  Adriana Santos de Almeida -  Fernanda Martins -   Keyane Gomes Dias -  Ricardo Lopes -  Ivana Cardoso -  Nara Oliveira -  Vanessa Souza -  Luis Carlos Gonzaga dos Santos -  Maiana Medina -  Antonio Roberto Bonfim -  Fernando Monteiro - Juvani S. do Amaral -  Ivana Cardoso -   Maria Rita -  Katu Tupinambá

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Colunista Bessa Freire relembra declarações do antigo ministro da Cultura de FHC, justificando massacres de índios pelos bandeirantes

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Weffort justifica massacre dos índios

Tapajós – a luta pelo rio da vida

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Ameaçados por complexo hidrelétrico se capacitam para lutar contra o projeto. Governo desrespeita direito constitucional e desmarca encontro.

Indio quer diploma

Índio quer diploma
www1.folha.uol.com.br
Não existe palavra para definir a futura profissão de Edegar Martinez em sua língua materna. Índio guarani do ramo avá, ele pretende pendurar o diploma de advogado na parede da casa de madeira da família, localizada dentro da reserva Ocoy, em São Miguel do Iguaçu (PR).

terça-feira, 11 de novembro de 2014

União Europeia ouve clamores de comunidades tradicionais na BA em Audiência Pública e visita aldeia indígena

União Europeia ouve clamores de comunidades tradicionais na Bahia em Audiência Pública e visita aldeia Tupinambá

A violação de Direitos Humanos e o crescente aumento da violência contra as comunidades tradicionais trouxeram à região sul da Bahia diversos embaixadores da União Europeia e representantes da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, além da Secretária Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia. Junto com estes representantes vieram os deputados estaduais Yulo Oiticica e Bira Coroa, que se somaram a dezenas de Entidades da Sociedade Civil Organizada, ONGs, Pastorais da Igreja Católica, Religiosos e Religiosas, Movimentos de Luta pela terra, Assentados, Acampados, Quilombolas, Vereadores, Comerciantes e empresários da região, e diversas etnias indígenas, para um encontro na Aldeia Serra do Padeiro, no município de Buerarema, realizado no dia 1º de novembro último, com o objetivo de refletir sobre esta problemática da violência, e juntos buscarem solução para esta situação que vivenciam estas comunidades


Cerca de 400 pessoas tiveram, então, a oportunidade de ritualizarem seus anseios no grande Toré celebrado pelos Tupinambá e outros povos presentes no evento, socializaram suas angústias na grande plenária através das falas e entregas de documentos e dossiês, se alimentaram de esperança e força, não só da deliciosa e farta alimentação proporcionada pela comunidade da Serra do Padeiro, mas também da sua resistência e confiança nos encantados. Puderam, também, contemplar nas visitas feitas e nas “conversas de pé de ouvido” uma possibilidade de uma “nova sociedade possível”, alicerçada no respeito ao ser humano e à natureza. Ao atravessarem a ponte construída com muita força de vontade pelos Tupinambá, diante da omissão do estado, a comunidade convidava a todos a construírem “novas pontes”, novos caminhos e novas perspectivas. Ao final da ponte chegaram a Unacau, território retomado pelos Tupinambá em maio de 2012. Este conjunto de fazendas, que soma 2.064 hectares – em que se produzia cacau e, posteriormente, café e palmito -, foi durante muitos anos símbolo de “desenvolvimento” e muitos recursos públicos ali foram investidos. Mas o que ninguém divulgava é que ali também se usava de mecanismos de expropriação fundiária, como grilagens de terras e ameaças. Nos tempos da Unacau e das empresas que a sucederam, registrou-se a ocorrência de trabalho escravo e também de intensos ataques ao ambiente, notadamente o desmatamento de grandes áreas. O grande sonho da comunidade Tupinambá, é transformar este espaço que causou tantas mortes e sofrimentos no passado, em um espaço de vida, instalando ali a primeira universidade indígena do Brasil.


A comitiva da União Europeia, com a presença de nove Embaixadas (Bélgica, Suécia, Reino Unido, Eslovênia, Finlândia, Espanha, França, Holanda, Irlanda), dois Consulados e a chefe da delegação da União Europeia, Sra. Ana Paula Zacarias (Portugal), ouviram atentamente os relatos de violência física, psicológica e cultural, criminalização de lideranças, judicialização das lutas, desrespeito às culturas e povos, preconceito, genocídios, crimes contra a natureza, avanços de empreendimentos com o capital europeu sobre territórios tradicionais, violação de direitos, falta de políticas públicas, assim como descumprimento e ataques a direitos constitucionais duramente conquistados. Ao final dos relatos, a chefe da delegação se comprometeu em ler atentamente e divulgar os documentos entregues, além de recomendar às autoridades brasileiras mais atenção e cuidado com as comunidades, e lutar pela garantia dos Direitos Humanos. Ela afirmou que “A defesa dos Direitos Humanos é fundamental para o povo, não queremos e não vamos interferir na política nacional, mas também entendemos que só juntos (todos os países) é que poderemos resolver os problemas de desigualdades”. “Estamos aqui para ouvir e para aprender com vocês sobre as populações tradicionais no Brasil, queremos e vamos contribuir. As contradições aqui ditas deste governo não existem só aqui, as contradições existem em todo lugar”, completou Ana Zacarias.

No dia anterior, 31 de outubro, no Palácio da Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com esta mesma Delegação da União Europeia no Brasil, realizou uma audiência pública. Diante do salão lotado de representantes das comunidades Quilombolas, Indígenas, Fundo e Fecho de Pasto, Pescadores, representantes de ONGs e do governo, os mesmos  denunciaram atos de violência sofridos por eles. Chamou a atenção as graves denúncias feitas pela representante do Quilombo Rio dos Macacos, Rosemeire dos Santos, que afirmou que o local é ocupado pela comunidade há mais de 200 anos, e atualmente a instituição militar reivindica sua desocupação para atender a necessidades futuras da Marinha. 


Já Edmilson dos Santos, presidente da Associação de Serra do Bode, em Monte Santo (a 352 km da capital), relatou o sofrimento dos pequenos produtores diante da expansão do agronegócio. “Eles (os grandes produtores) matam mesmo, querem nos expulsar de nossas terras. Muitos são assassinados e depois os fazendeiros dizem que eram bandidos”. A indignação diante das violações dos Direitos Humanos sofridas pelos representantes das comunidades foi partilhada pelo Coordenador do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos na Bahia, José Carvalho, que ao se referir à situação do Povo Xacriabá da Aldeia dos Porcos de Cocos, Bahia, relatou que ficou estarrecido com o completo abandono da comunidade pelas instituições governamentais.

Nesse evento, também foi lançado o livro “10 Faces da Luta pelos Direitos Humanos no Brasil”. O livro traz experiências de Dez destacados Defensores de Direitos Humanos, que estão inseridos no Programa de Proteção da Secretaria de Direitos Humanos, e que são expressão da luta por Direitos Humanos. Dentre eles se destacam na questão indígena os caciques Deoclides, da etnia Kaingang, e Rosivaldo/Babau, da etnia Tupinambá.


Acesse os vídeos com os pronunciamentos da Audiência Pública:

Ana Paula Zacarias – Embaixadora da União Europeia no Brasil

Jozef Smits – Embaixador da Bélgica no Brasil

Milena Šmit, Embaixadora da Eslovênia

Wellington Pantaleão da Silva - Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

Ariselma Pereira, Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia

Eduardo Oliveira – CIMI (Conselho Indigenista Missionário)

Cacique Babau Tupinambá – Serra do Padeiro, BA

Adailton José de Santana – Montes Claros, MG

Benedito Roberto Barbosa – Central dos Movimentos Populares, SP
Cacique Deoclides, Povo Kaingang da Terra Indigena Candóia, RS

Rosemeire dos Santos – Quilombo Rio dos Macacos, BA

Edmilson dos Santos – Associação Serra do Bode, BA

Cacique Divalci do Povo Xacriabá, Aldeia dos Porcos, BA

Cacique Nailton do Povo Pataxó Hã-Ha-Hãe, BA

Cacique Cícero do Povo Tumbalalá, BA

Cacique Aruã Pataxó do Povo Pataxó - BA

Moah da UNEGRO – Extremo Sul da Bahia, BA

Cacique Valdelice e Zé Domingos do Povo Tupinambá de Olivença, BA

Conselho Indigenista Missionário 

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