sexta-feira, 1 de agosto de 2014
quinta-feira, 20 de junho de 2013
OS BANDEIRANTES
Em nenhum lugar do Brasil, a invisibilidade do índio talvez seja tão
visível quanto na Avenida Paulista, em São Paulo. É ali, em frente ao Parque
Trianon, dando de cara com o MASP, no meio de pessoas apressadas falando ao
celular, buzinas de carros, barulho de motor e poluições de vários tipos, que
fica localizada a estátua de Bartolomeu Bueno Dias, também conhecido como Diabo
Velho (Anhanguera). Bartolomeu foi um bandeirante, conhecido matador de
índio e saqueador de tribo. No entanto, se formos ao Houaiss e
procurarmos o verbete “bandeirante”, nenhum desses significados estará lá – o
que diz muito também de nosso silêncio e indiferença em relações aos índios. No
dicionário, você descobrirá que “bandeirante” é sinônimo de “paulista”, além de
significar “aquele que abre caminho; desbravador; precursor; pioneiro”. Os
bandeirantes seriam uma espécie de “vanguarda” da colonização, o que casa bem
com um lugar como São Paulo, cujos políticos ainda hoje se utilizam da infeliz
metáfora da “locomotiva do Brasil” para definir o estado.
Vanguarda, desbravamento, locomotiva, non ducor duco (que
está na bandeira da cidade de São Paulo e quer dizer “não sou conduzido,
conduzo”) são signos que fazem parte de um mesmo campo discursivo: o do
progresso arrojado. Se houve algum progresso no Brasil, esse foi o progresso da
colonização, ou melhor, a progressão bandeirante lenta e
contínua para o oeste, escravizando indígenas, apropriando-se dos recursos de
sua terra, aniquilando sua cultura. Avançamos na terra e na cultura dos outros.
Progresso, progressão, invasão. E continuamos fazendo isso: seja com os
Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul; seja com os desalojados das construções
da Copa do Mundo; seja com os índios da bacia Xingu que serão desterrados pela
Usina de Belo Monte. As elites brasileiras continuamprogredindo em
cima de terras, pessoas e direitos.
Não nos enganemos. Nosso imaginário desenvolvimentista – essa necessidade
e desejo de crescer e expandir em moto-contínuo – está calcado no espírito do
bandeirantismo, que nada mais é a lógica do colonizador. Bartolomeu Bueno da
Silva nos representa mais do que gostaríamos.
2.
Como aprendemos na escola secundária, os romances Iracema (1865)
e O Guarani (1857) de José de Alencar são considerados ficções
fundacionais da nação. Embora sejam textos fortemente ideológicos – uma vez que
deliberadamente escamoteiam a violência genocida do encontro colonial para
narrar tal encontro numa moldura conciliatória –, carregam em si um núcleo de
verdade: o desejo do letrado brasileiro – o narrador dessa história dos
vencedores – de moer qualquer traço de alteridade cultural no moinho da
ocidentalização. Nas palavras certeiras de Alfredo Bosi, o indianismo
alencarino não passava de um mito sacrificial dos índios, no qual estes só
atingiriam a nobreza quando fossem capazes de se auto-imolar. Os índios Peri,
de O Guarani, e Iracema, personagem central do romance homônimo, se
tornam heróis na medida em que se anulam e se sacrificam em gesto de servidão
aos colonizadores portugueses. Peri se converte ao cristianismo para se unir à
portuguesa Cecília e, com ela, formar o povo brasileiro. Iracema trai o seu
povo tabajara para ficar com o lusitano Martim. Do fruto desse encontro, nasce
Moacir, o primeiro brasileiro. Depois de cumprida sua missão no processo
civilizatório brasileiro, Iracema morre. O indianismo alencarino foi assim um
elogio à submissão do indígena à sabedoria europeia. Bom índio é aquele que se
ocidentaliza. Que muda de lado. Que nega seu povo. Que está disposto a
aniquilar a sua cultura, e até a vida, para contribuir com anação.
Um pouco mais de cem anos depois, João Guimarães Rosa, no conto “Meu tio
o iauaretê”, se propõe a questionar essa relação colonial, evocando uma outra
lógica. Se os mestiços “alencarinos” são cristianizados e ocidentalizados, o
que aconteceria se o mestiço escolhesse o outro lado da mistura que o compõe?
“Meu tio o iauaretê” conta a história de Tonho Tigreiro, caçador de
onças, contratado por um fazendeiro, Nhô Nhuão Guede, para desonçar um certo
território. Em outras palavras, o caçador é chamado para livrar o terreno das
onças, permitindo que aquele pedaço de terra possa ganhar uma utilidade
econômica. Desonçar a terra faz parte de uma operação bandeirante (sem
trocadilhos). No entanto, de tanto viver isolado dos homens, o caçador começa a
ter mais simpatia pelas onças do que por gente, e passa a defendê-las. O
caçador escolhe claramente um lado: o das onças, da natureza, dos animais,
enfim, o lado da terra onde vive. É o mesmo “lado” que os índios defendem no
seu esforço de resistência aos (neo)bandeirantes que invadem sua terra. Daí a
conclusão da leitura que antropólogo Eduardo Viveiros de Castro faz do conto rosiano:
Não é um texto sobre o devir-animal, é um texto sobre o devir-índio. Ele
descreve como é que um mestiço revira índio, e como é que todo mestiço, quando
vira índio – isto é, quando se desmestiça– o branco mata. Essa é que é a moral
da história. Muito cuidado quando você inverter a marcha inexorável do
progresso que vai do índio ao branco passando pelo mestiço. Quando você procura
voltar de mestiço para índio como faz o onceiro do conto, você termina morto
por uma bala disparada por um revólver de branco.
Tudo que foge da lógica da anexação, da incorporação, da integração, é
eliminado. Brasileiro gosta de mistura, desde que ninguém ameace a nossa
cosmovisão e epistemologia ocidentais.
3.
Em Tristes trópicos, Claude Levi-Strauss lembra de uma
conversa que teve com o embaixador do Brasil na França, Luís de Sousa Dantas,
ocorrida em 1934, na qual o diplomata brasileiro havia comunicado a
Levi-Strauss que não existia mais índios no Brasil. Haviam sido todos eles
dizimados pelos portugueses, lamentava Sousa Dantas. E assim concluía: o Brasil
seria interessante para um sociólogo, mas não para um antropólogo, pois
Levi-Strauss não encontraria em nosso país um índio sequer. Nós não sabemos se
Sousa Dantas nega a existência dos índios por ignorância, ou simplesmente para
ocultar um aspecto do país que o diplomata brasileiro certamente considerava
“arcaico”, uma vez que a existência de “primitivos” não bendizia os padrões
civilizatórios da nação diante de um estudioso europeu.
Mas quem de nós nunca agiu como Sousa Dantas? Qual foi o brasileiro que,
no exterior, nunca se indignou com uma pergunta de um gringo mal-informado que
sugeria que nós tivéssemos hábitos próximos ao dos índios? Eis o motivo de
nossa indignação: como podem nos confundir com tupiniquins (palavra
usada pejorativamente por nós brasileiros para nos definirmos como povo
atrasado), se nós somos industrializados, urbanizados, temos carros, trânsito
infernal, sofremos com poluição e tomamos Prozac para resolver nossos problemas
emocionais? Em outras palavras, como podem nos acusar de “primitivos” se
desfrutamos de todas estas maravilhas da civilização moderna?
Se por um lado, hoje, os brasileiros sabemos da existência empírica dos
índios, por outro lado, negamos sua existência como nossoscontemporâneos,
e essa é a raíz da indignação diante de uma possível confusão entre nós,
brasileiros, e um povo que, na cabeça de tantos, ainda não evoluiu. Ora, de
todos os esforços pedagógicos para descolonizar o imaginário brasileiro, talvez
esse seja o mais importante: de mostrar como nós precisamos
urgentemente do diálogo com os índios. Devemos abandonar a ótica paternalista
(do Estado brasileiro) que infantiliza o índio, enxergando-o como artefato do
antiquário nacional, que para alguns deve ser incorporado à nação, enquanto
para outros deve ser preservado tal como está. Esse é um falso dilema, pois
reifica o índio. Devemos, sim, estabelecer com os índios uma relação de
interlocução, com a qual temos muito que aprender.
Nossa civilização criou formas de vida que beiram a inviabilidade.
Emporcalhamos nossas cidades; poluímos nosso mar, nossos rios, nosso ar;
destruímos nossa natureza; criamos necessidades que nunca serão preenchidas a
contento, gerando inúmeras frustrações, tamanha é a roda-viva do consumismo que
determina nosso estilo de vida. Segundo Celso Furtado (que hoje, graças a Dilma
Rousseff, dá nome a um petroleiro), no seu O mito do desenvolvimento
econômico, “[o] custo, em termos de depredação do mundo físico, desse
estilo de vida é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo
levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as
possibilidades de sobrevivência da espécie humana.” Quanto mais universalizamos
nosso consumismo predador, mais rápido destruímos nosso ambiente e planeta. O
que teríamos a aprender, afinal, com os índios?
O que dizer de um povo que vive há milênios em co-adaptação com o ecossistema
amazônico, tirando da floresta o sustento da vida, em vez de tirar a floresta
de sua vida (uso aqui o jogo de palavras do próprio texto de Viveiros
de Castro)? Os índios são radicalmente cosmopolitas. A palavra
“cosmopolita” quer dizer “cidadão do mundo”. Cosmos, na filosofia grega
significa “universo organizado de maneira regular e integrada”. Se
permanecermos fiéis à etimologia da palavra, cosmopolita seria então o cidadão
de um universo harmonioso (cosmo é o antônimo de caos). Por anos,
filósofos antigos e modernos têm pensado o termo “cosmopolitismo” como uma
técnica de convivência entre povos. O cosmopolitismo radical dos índios nada
mais é que uma técnica de convivência e co-adaptação com o cosmo – o universo,
o ambiente, o planeta. A destruição do planeta hoje parece mais plausível em
decorrência da falta do cosmopolitismo radical dos índios do que do
cosmopolitismo dos filósofos. O que teríamos a aprender com os índios? Algo
muito simples e complexo: aprender a habitar o planeta.
4.
Pensar o índio no Brasil é particularmente difícil, pois as
representações que temos do índio o colocam além da alteridade. O “outro” da
cultura brasileira – narrada, claro, da posição do letrado urbano
euro-brasileiro – é, com o perdão da redundância, outro. Ou melhor, são outros:
o sertanejo, o retirante, o negro, o favelado.
Investigando sobre os motivos que levaram a esquerda brasileira a
negligenciar o índio, Pádua Fernandes lembra que a esquerda revolucionária dos anos
70 – de onde saiu boa parte do Partido dos Trabalhadores – discutia a relação
entre cidade e campo, mas era incapaz de pensar a floresta. Em parte, isso se
deve à importação direta das categorias euromarxistas (e, claro, graças ao
abismo das Tordesilhas, que separa o Brasil da América Hispânica; a esquerda
brasileira nunca deu muita bola para o indo-socialismo do peruano José Carlos
Mariátegui). No entanto, mais do que ser um problema de cegueira por parte de
segmentos da esquerda, a invisibilidade do índio talvez se remeta à maneira
como pensamos o “povo” brasileiro, dentro do paradigma nacional-popular.
De acordo com esse paradigma, que estruturou a imaginação brasileira
durante o século 20, o povo é o sertanejo de Os sertões, “rocha da
nacionalidade”; o negro de Casa-grande & senzala e da
vasta bibliografia sociológica e historiográfica que veio a seguir; os
retirantes desesperados Manuel e Rosa de Deus e o diabo na terra do sol;
o ingênuo Fabiano de Vidas Secas; a comovente Macabéa de A
hora da estrela, além de tantos outros personagens e temas das nossas
produções culturais. A consciência social do letrado urbano brasileiro foi
construída a partir da ideia de que o povo brasileiro – na sua imensa maioria
pobre, desassistido, negromestiço – necessita ser integrado à modernidade, à
cidadania plena, a um sistema educacional justo e ao conforto material.
A eleição do presidente Lula em 2002 talvez tenha sido o evento mais
importante de nossa democracia exatamente porque mexeu profundamente com nossa
imaginação nacional-popular: pela primeira vez, o povo assumia o poder.
Fabiano, Macabéa, Manuel e Rosa estavam todos representados na figura
carismática de Lula. E não se pode negar que o governo Lula muito melhorou a
vida do “povo brasileiro”, garantindo acesso a bens e direitos antes
impensáveis. O progresso finalmente havia chegado ao andar de baixo, que agora
podia comprar televisão, andar de avião e até passear de cruzeiro. Nunca antes
na história desse país, o povo esteve mais integrado aos padrões de consumo do
mundo civilizado.
O mesmo governo que tanto fez para tanta gente (e atuou como uma força
descolonizadora no tocante às ações afirmativas e na introdução de história
africana no ensino médio), é aquele que age como um poder colonizador na
Amazônia, e aliado objetivo dos fazendeiros do agronegócio no Mato Grosso do
Sul. Desse modo, o Estado e seus sócios ocupam a terra com prerrogativa
desenvolvimentista, como se fosse um território vazio, pronto para o usufruto
dos agentes econômicos. Nada muito diferente dos bandeirantes. O que antes
vinha coberto com retórica de missão civilizatória cristã, agora é celebrado
como a chegada do progresso. Nos dois tipos de bandeirantismo, a destruição vem
justificada por um discurso de salvação. O índio que habita nessas terras é
tratado simplesmente como obstáculo que deve ser removido em nome do progresso
da nação (progresso no caso representa: carne de gado no Mato Grosso e energia
elétrica para indústrias do alumínio na Amazônia).
O índio apresenta um desafio para o pensamento da esquerda no Brasil. Um
desafio que ainda não foi pensado como desafio, pois a esquerda ainda enxerga a
“questão indígena” como um problema que deve ser resolvido.
O desafio, ao contrário do problema, não exige uma resolução, mas uma autorreflexão.
Os índios nos fazem repensar nosso modo de vida, e até mesmo o conceito de
nação. Como salientei, o índio não se insere na matriz nacional-popular que
mobiliza tanto a nossa imaginação. E não se insere nela pois, ao contrário do
retirante, do favelado, do pobre, do negro, o índio não está buscando integração à
modernidade (a grande promessa do lulismo às massas). Os índios parecem
querer reconhecimento do seu modo de vida (como se pode ver
nessa entrevista de Davi Kopenawa -
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Dilma-indio-inimiga-lider-yanomami-Amazonia-Amazonas-Manaus-Aldeia_Watoriki_0_802719809.html#.UJRgnj8FATs.twitter). E, para viver do
jeito que sabem viver, é necessário garantir as condições mínimas de
possibilidade para sua vida: terra e rios que não sejam dizimados pela usina de
Belo Monte, nem pelo garimpo; segurança e tranquilidade para não serem
acossados pelos capangas do agronegócio, como no Mato Grosso do Sul. Essas são
as grandes lutas hoje.
A luta pelos direitos indígenas vai muito além de uma quitação da nossa
dívida histórica. Mais do que um acerto de contas com nosso passado, a
garantia dos direitos constitucionais dos índios é imprescindível para o nosso
futuro. Precisamos cada dia mais da sabedoria desses cosmopolitas radicais, se
quisermos repensar e refundar os pressupostos de nossa existência planetária.
Fonte: http://www.amalgama.blog.br/11/2012/nos-e-os-indios/
segunda-feira, 10 de junho de 2013
os verdadeiros dono da terra chamado Brasil
Aos parentes, companheiros, amigos, aliados e inimigos,
Estamos firme em nosso propósito, assim como a Tribo de Israel lutaram
pelo seu chão, assim nós Terena lutaremos pela nossa terra, pois somos
uma nação de guerreiros.
Todas essas terras pantaneira, a partir do chaco argentino, paraguaio e
boliviano era do nosso domínio e sustento, juntamente com o Guaikuru,
Lainã (desaparecidos) e Kininikinaua, em que cada qual respeitava o seu
território.
Com a chegada dos bandeirantes vindo do leste e os espanhóis
(castelhanos), vindo do oeste, fomos sendo exprimidos e mortos, fugindo,
correndo pra lá e pra cá,
Em 1864/70 começa a sangrenta Guerra do Paraguai nessa região,
chegam as tropas imperial, formadas por soldados mineiros e goianos, não
haviam fazendeiros na região, só um chacareiro chamado Lopes, que se juntou com
as tropas brasileiras e os Terena se apresentaram como voluntários
pra lutar contra os paraguaios (Memória Visconde de Taunay)
No inicio de 1900 começam estudos na região para implantação da linha
telegráfica/estrada de ferro e os Terena foram recrutados para
trabalhar como "boia-fria" com Rondon, pois só nós resistia a doença
tropical e conheciam o pantanal. A partir daí começaram aparecer os
"estrangeiros", criando povoados, cartórios, igrejas e grilando
grandes extensões de terra, destruindo vários sítios sagrados Terena, tudo
agora com incentivo e aval do governo republicano, nos delimitando
em pequenos "lotes". Do mesmo jeito que é feito a grilagem
ainda hoje aqui em Brasília.
Nossa população foi crescendo, se apertando. Nos Terena nunca
fomos lembrados ou reconhecidos, nessa história como guardião do
Brasil, nem da riquezas do bioma pantaneiro
Por volta de 1940 com a eclosão da II Guerra Mundial, mais
uma vez os jovens Terena se apresentam, juntando às tropas da
gloriosa FEB e parte para lutar na Itália. Nesse mesmo
período, nossa região voltaram aparecer outros estrangeiros (árabes, europeus e
japoneses, fugindo covardemente de suas pátrias com medo do Hitler), agora sim,
foram ampliando seus domínios, formando guetos políticos, social,
territoriais tornando-se grande latifundiários
Hoje com advento da informação global, jovens guerreiros Terena,
muitos universitários começaram a ter consciência de buscar
nossos direitos, esperamos por muitos anos, silenciosamente pela terra
prometida. Os governos tinham conhecimento de nossas reivindicações, nada
fizeram ou fazem. Assim ocorreu na semana passada a retomada de um pedacinho
de nossas terras que custou sangue de nossos antepassados
e agora do nosso jovem irmão guerreiro Oziel.
* VUCÁPANAVO! "ADIANTE ou AVANTE!
* Era como gritavam nossos combatentes, guerreiros Terena quando
acuado em uma batalha, era a senha.
** Fotos arquivo exército - meu tataravô sentado, pós guerra do Paraguai
com uniforme do exército imperial (eles gostavam de ostentar)
"Amar à Deus como nosso Pai, é saber respeitar Sua criação, a
Natureza!”
Carlos
Terena 61 822.61483/9166.2264
porque matam indios
Para entender porque matam os índios

O caso da demarcação das terras
indígenas no Mato Grosso do Sul ou em qualquer outro estado do país não está
fora do contexto desse avanço e fortalecimento do agronegócio
06/06/2013
Elaine Tavares
No início do século XX, o Brasil
decidiu expandir suas fronteiras agrícolas, fortalecendo a sua posição de país
dependente, exportador de matérias primas. Era necessário então avançar pelo
interior, abrir caminhos para a pecuária e a agricultura. Aí entrou em cena o Marechal
Rondon, que sonhava com uma convivência pacífica entre índios e brancos:
"morrer sim, matar, jamais". Mas, esse legado de humanidade se perdeu
no tempo. "Pacificados," os indígenas chamados a se
"civilizar", a entrar no ritmo da sociedade branca, foram perdendo
sua identidade, suas raízes, sua cultura. Outros, renitentes, foram alojados em
reservas, como se fossem bichos exóticos, com suas terras diminuídas e
tutelados pelo estado. O território "pacificado" ganhou escrituras,
donos, cercas. E aos verdadeiros donos do território restou a nostalgia de um
tempo em que eles podiam viver à sua maneira. Agora, durante o mais novo ciclo
de desenvolvimento dependente brasileiro, que teve início no governo Lula, é
justamente essa dita fronteira agrícola que busca se expandir outra vez e, de
novo, às custas dos povos originários ou dos camponeses sem terra. Mas, quando
falamos em agricultura não está em questão aquela que produz comida para a mesa
dos brasileiros, e sim a de exportação, que na linguagem empresarial ganhou o
pomposo nome de agronegócio. Pois esse negócio (o agrobussines) representa mais
de 22% da riqueza total produzida no país, o que não é pouca coisa. Só a China
tem importado mais de 380 milhões de dólares em produtos agrícolas, bem como os
Estados Unidos que encosta nessa mesma cifra. Segundo informações do governo
federal (http://www.brasil.gov.br/sobre/economia/setores-da-economia/agronegocio - dados de 2011) , os produtos de maior
destaque que saem do país são as carnes (US$ 1,14 bilhão); os produtos
florestais (US$ 702 milhões); o complexo soja - grão, farelo e óleo (US$ 685
milhões); o café (US$ 605 milhões) e o complexo sucroalcooleiro - álcool e
açúcar (US$ 372 milhões). Nota-se que a maior parte da exportação diz respeito
a grãos (que no geral servem para alimentar animais) e madeira, dois legítimos
representantes da monocultura destruidora de terra. Cálculos do governo apontam
para o sucessivo crescimento da produção de grãos, principalmente a soja, que
tem aumentado a área plantada em 2,3% ao ano. Não é por acaso, então, que o
Mato Grosso do Sul seja o principal foco de disputa de terra e de violência
contra os indígenas. É justamente a região centro-oeste a responsável por 45%
da produção de soja. E é lá também onde existe uma grande parcela do povo
autóctone, esperando demarcação de suas terras. A partir do ano de 2003 outra
fronteira começou a se alargar na plantação de soja, atualmente outro espaço de
violentas disputas, a da região da caatinga e a parte nordestina da Amazônia.
Também não é sem razão que o governo esteja levando adiante obras gigantescas
como as Hidrelétricas na Amazônia e a transposição do Rio São Francisco. Tudo
isso é para atender a demanda dessas plantações. E é sempre bom frisar: não é
comida para o povo, é produto de exportação. Vai para fora do país. Não
bastassem os projeto mirabolantes para beneficiar o agronegócio, o governo
também disponibiliza, através do Plano Safra, crédito a juros abaixo do
mercado. Ou seja, os mais ricos pagam menos pelos empréstimos, enquanto os
pequenos, que plantam a comida que vai para a mesa da população, amargam juros
altos e falta de apoio. Também está em andamento o Plano Estratégico do Setor
Sucroalcooleiro, que visa ampliar a área de cana-de-açúcar para a produção do
etanol. mais uma vez, não é comida o que essa gente produz. A lógica é a de
sempre: garantir rentabilidade para poucos donos de terra, reforçar o sistema
agroexportador, apoiar a ação de multinacionais predadoras, e seguir o caminho
de dependência econômica, já que produtos agrícolas de baixo valor agregado
tornam a economia bastante vulnerável. Mas, ao que parece isso não importa. O
que vale é seguir investindo nos grandes produtores para manter a balança em
superávit, mesmo que isso precise custar soberania, destruição ambiental e
morte daqueles que ousam "atrapalhar" o esquema. Assim, na mesma
semana em que indígenas são assassinados no Mato Grosso do Sul, o governo
anuncia mais um pacote de 136 bilhões de reais para a agricultura empresarial (o agronegócio). É a completa
rendição. O caso da demarcação das
terras indígenas no Mato Grosso do Sul ou em qualquer outro estado do país não
está fora do contexto desse avanço e fortalecimento do agronegócio. Os
fazendeiros querem mais terras e não estão dispostos a permitir que seres que
eles consideram "inúteis" vivam sua cultura de equilíbrio ambiental e
desenvolvimento fora do ritmo capitalista. Para aqueles que apenas conseguem
enxergar os números da bolsa de Nova Iorque, a população indígena é um entrave
que precisa ser retirado do caminho a qualquer custo. Para isso contratam
jagunços e mandam bala. Fazem ouvidos moucos ao clamor que se levanta.
Ajudados pela mídia comercial,
dominada pela elite que verdadeiramente governa o país, esses empresários
rurais conseguem também entrar na cabeça das gentes, fertilizando um discurso
racista, preconceituoso e violento. Pessoas simples, trabalhadores, gente que
deveria ser solidária aos indígenas na sua luta pelo direito de viverem em suas
terras, acabam reproduzindo o mantra diariamente veiculado na televisão: que os
índios são vagabundos, que não querem trabalhar, que não precisam de terra, que
vão vender os terrenos, que vão explorar a madeira, e assim por diante.
"Compram" a mentira diuturnamente produzida e tornam-se cúmplices de
mais um massacre da população originária, verdadeira dona desse lugar. Não
bastasse isso o governo federal se curva aos interesses da classe dominante e
emprega a força bruta para atacar manifestações legítimas dos povos indígenas e
das gentes que apoiam a causa originária. O conflito que temos visto se
explicitar nas estradas do Mato Grosso do Sul, na Amazônia e até aqui, no Morro
dos Cavalos, nada mais é do que a luta de classe, típica do capitalismo. De um
lado, o latifúndio defendendo seus interesses, do outro, os explorados,
buscando vida digna. E, no meio disso tudo uma nação alienada pela constante
deformação informativa da mídia comercial que transforma em inimigo aqueles que
são as vítimas do sistema. A saída para esse imbróglio é a luta mesma. Nada
será concedido pelo governo, que já se ajoelhou diante do agronegócio. Agora, o
desafio é tirar o véu do conflito, escancarar as causas, abrir os olhos dos
entorpecidos pela mídia. E isso, sabemos, é coisa difícil demais. Mas, também
não é coisa que deva nos imobilizar. Pelo contrário. Nessa hora em que os
irmãos indígenas enfrentam as balas e a morte, é preciso apoio concreto e
efetivo. O bom mesmo seria que as gentes saíssem para a rua em solidariedade à
luta indígena. Enquanto isso não acontece vamos fazendo o trabalho de formiga,
levando outra informação, para que as cabeças possam compreender o direito dos
indígenas.
Não é possível que os sindicatos e os
movimentos sociais não se levantem em apoio. Não é possível que as gentes
brasileiras não se co/movam com o drama de uma gente que perdeu tudo o que era
seu e que hoje vive confinada em reservas. O que fizeram para serem
prisioneiros do estado e da sociedade? Que crime cometeram além de estarem
aqui, criando suas famílias, quando os invasores chegaram? Por que precisam
pagar pelo fato de existirem e quererem seguir vivendo sua cultura?
O que farias tu se alguém chegasse na
tua casa e te arrancasse dali sob o pretexto de que é preciso passar por ali o
progresso - mas não de todos, apenas de alguns? Porque o direito do agronegócio
é maior do que o de uma comunidade inteira?
Essas são perguntas que não querem e
não podem calar. Todo apoio aos irmãos indígenas!
Elaine Tavares é jornalista.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Os
Martires do Rio Cururupe
“
Memoria Viva “
A quinhentos anos atrás os portugueses invadiram nossas terras
deram o nome de Brasil apelidaram os nativos como índios achando que tinha chegado na índia. Ai
começou toda desgraça com os povos nativos
verdadeiros guardiões dessa terra, enganaram, mataram, escravizaram,
estruparam nossas índias e dizimaram
muitos povos indigenas, obrigaram a vestir roupas
Esse
genocídio a maioria da população de Ilhéus não tem conhecimento, isso a universidade, a escola e a midia não
leva ao conhecimento da sociedade brasileira, também não tem interesse em divulgar essa história que
esta tão escondida quanto a um baú de tesouro. A população de Ilhéus merece
respeito e precisa saber desses acontecimentos que aconteceram na nossa cidade,
o povo da terra da Gabriela precisa saber que antes de ser de Gabriela, ela era
primeira dos indios Tupinamba, Tupiniquins, Aimoré, Botucudos e outras etnias
que viveram aqui antes do grande massacre covarde praticado pelo governador do
Brasil, Mem de Sá, esta memória ainda está viva na cabeça dos nossos anciões
até os dias de hoje, assim também como na carta de Manoel da Nóbrega que levava
as informações para o rei de Portugal de tudo que acontecia na colônia.
“ Em 1557, com a
prosperidade da Capitania, a Coroa, em 25 de março isenta o açúcar do pagamento
dos impostos alfandegários, a produção dos quatro engenhos Ilhéus foi recorde.
Em 1559, após os colonos matarem dois índios
injustamente, os Tupiniquins revidaram matando três homens a caminho de Porto
Seguro e invadiram uma roça. Ao passarem pelo engenho de São João onde se
encontrava Tomaz Alegre, os moradores evacuaram a fazenda com medo, a notícia
circulou rapidamente e os demais engenhos em pânico esvaziaram-se, todos os
colonos e escravos, num total de mais de mil pessoas se amotinaram na vila de
São Jorge. Os índios aproveitaram o medo que os brancos cultivaram e destruíram
os quatro engenhos, roubaram fazendas, mataram e comeram o gado, encurralaram a
população na vila, sem comida e poder de fogo para enfrentá-los. Veio em
socorro Mém de Sá que desde 3 de janeiro de 1558 assumira o governo geral de
Brasil, trazendo alguns cristãos catecúmenos dos Jesuítas e outros índios
aliados. Com munição, mantimentos e homens, dentre eles Vasco Rodrigues Caldas,
já experimentado na luta contra indígenas no Recôncavo. Ao saberem da chegada
de Mem de Sá, os Tupiniquins evacuaram o cerco a vila e concentraram-se a seis
léguas da vila. Mem de Sá os perseguiu por 30 dias de guerra implacável, queimando
aldeias e os cercando no sentido interior para o litoral, onde se passou a mais
sangrenta parte desse episódio da história de Ilhéus, a ”Batalha dos Nadadores” onde os colonizadores massacraram os Tupiniquins
em pleno mar a duas léguas da praia, juntando-se os corpos lado a lado na praia
do Cururupe chegou-se a uma légua”
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Assim
também como o próprio Mem de Sá conta na sua carta ao rei de Portugal o maior
massacre posto ao povos indígenas no Brasil, ele escreve bem assim:
|
|
“Nestes tempos veio recado do
governador como o gentio [o indígena] tupinikim da capitania de Ilhéus se
alevantava e tinha morto cristãos e destruído e queimado todos os engenhos dos
lugares, e os moradores estavam cercados e não comiam já senão laranjas. Logo
pus [reuni] em conselho e posto que muitos eram de opinião que não fosse, por
não ter poder para lhes resistir nem o poder do imperador, fui com pouca gente
que me seguiu.
Na noite em que entrei em Ilhéus
fui a pé dar em uma aldeia que estava a sete léguas da vila em um alto pequeno,
todo cercado de água, ao redor de lagoas. E a destruí e matei todos os que
quiseram resistir e na vinda vim queimando e destruindo todas as aldeias que
ficaram atrás. Porque o gentio se ajuntou e me veio seguindo ao longo da praia,
lhes fiz algumas ciladas, onde os cerquei e os forcei a lançarem-se a nado ao
mar de costa [muito] brava.
Mandei outros índios atrás deles,
que os seguiram perto de duas léguas e lá no mar pelejaram de maneira que
nenhum tupinikim ficou vivo. E os trouxeram a terra e os puseram ao longo da
praia em ordem [de forma] que tomavam os corpos [alinhados] perto de uma légua.
Fiz outras muitas saídas em que
destruí muitas aldeias fortes e pelejei com eles outras vezes em que foram
muitos mortos e feridos e já não ousavam estar senão pelos montes e brenhas
onde matavam cães e galos e, constrangidos da necessidade, vieram a pedir
misericórdia e lhes dei pazes com condição que haviam de ser vassalos de Sua
Alteza [o Rei] e pagar tributos e tornar a fazer os engenhos. Tudo aceitaram e
fizeram e ficou a terra pacífica em espaço de trinta dias. Isto fiz à minha
custa dando mesada a toda pessoa honrada.”
(Carta de Mem de Sá ao rei de
Portugal, de 31/3/1560. In Silva Campos. Crônica da capitania de São Jorge de
Ilhéus. Rio de Janeiro, MEC/Conselho Federal de Cultura, 1981. p. 44).
Durante
muito tempo os índios de Olivença se calaram, negando sua identidade, isso porque não podiam se autoafirmar como indio.
Durante o Sec. XVI, XVII e XVIII na aldeia de Olivença, os índios começaram a negar
sua identidade e consequentemente sua cultura tradicional. Se algum índio fosse
pego falando sua lingua, eles cortavam a língua, e se fosse fragado fazendo
seus rituais, também eram castigados pelos colonos e jesuítas.
Antes dos negros chegarem aqui, os indios
Tupinambá já eram escravos da colônia portuguesa na vila de Olivença e no
engenho de santana, hoje Rio do Engenho, onde os índios mais trabalhavam, assim
também como os negros que chegaram em
substituição ao trabalho escravo pelos indios que se recusavam a trabalhar como
escravo com isso eles revoltaram e não
quiseram mais trabalhar na escravidão e foram acontecendo varias revoltas
indígenas em todo o Brasil.
Agora os fazendeiro e o resto dos coronéis falam que vivem nessa
terra a 80 anos mas eles se esquecem que bem antes de Pedro Alvares Cabral
invadir o Brasil o nosso povo já viviam aqui. Mesmo com todo etnocidio que nos
fizeram ,esqueceram eles
que as árvores que eles derrubaram ficou muitas sementes e essas sementes
brotaram e vem brotando a cada dia que passa “os Tupinamba”.
Hoje só porque exigimos nossos direitos que esta escrito perante a
constituição Brasileira, queremos também cobrar elembrar ao governo a obrigação
de demarcar, homologar e desintruzar todo território tradicional e ancestral
onde vivemos. Que em pleno século XXI os Tupinambás de Olivença vem sofrendo
discriminação, preconceito, perseguição, criminalização e ameaça de morte sem
nem um respeito com esses povos tradicionais que sempre teve seu jeito de
viver.
Os
indios de Olivença viviam pela razão de viver, era nomãde e não tinha local
fixo de morar, gostava de morar perto de um rio, viviam época em um lugar e
época em outro lugar, assim iam levando a vida na paz, não faltava alimento
para eles, trabalhavam somente para sobreviver, pescavam, plantavam e caçavam,
viviam sempre perto do mar, hoje não se pode mais fazer isso, porque não tem
mais animais para caçar e nem peixe para
pescar nos rios, eles comercializavam através de escambo, nunca existiu
capitalismo entre os indios, a terra sempre dava o que eles queriam, por isso a
terra é tão importante para os povos indígena do Brasil. Hoje precisamos de
nossa terra para poder viver com um pouco de paz que ainda nos resta,
precisamos que o governo olhe para os povos indígenas e lhe dê o que é de
direito, porque demarcar a terra é mais que uma obrigação, não é favor, o
Brasil tem uma divida muito grande com os povos indígenas e essa divida não tem
preço, porque o sangue que nossos antepassados derramaram não tem volta.
Katu
Tupinambá
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Curso de Tupi Antigo

Índios na caravela de Pedro Álvares Cabral
CURSO ELABORADO PELO
PROF. EDUARDO NAVARRO
Presidente da ONG Tupi Aqui
PROF. EDUARDO NAVARRO
Presidente da ONG Tupi Aqui
Vice-presidente da Associação Internacional “Anchieta”
Ministrou cursos e palestras sobre Tupi Antigo nas Universidades de Coimbra (Portugal), Munique (Alemanha), Genebra (Suíça), autor de vários livros sobre o assunto e dez anos
de ensino de Tupi Antigo na Universidade de São Paulo
INFORMAÇÕES PARA CONTATO
Rua Antonio Tomaz, 7
Paranapiacaba - Santo André - SP
Cep: 09150-150
Telefone: (0xx11) 3091-4841
E-mail: edalnava@ig.com.br
Saiba como obter o certificado de conclusão
Ministrou cursos e palestras sobre Tupi Antigo nas Universidades de Coimbra (Portugal), Munique (Alemanha), Genebra (Suíça), autor de vários livros sobre o assunto e dez anos
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